Designers: níveis de senioridade

Designers: níveis de senioridade

Designers: níveis de senioridade

Nathalia Frontini
Com amor pela equipe
4 minutos de leitura

O que observamos na contratação e o que você deveria considerar também


A importância de um designer:

Como já mencionamos em nosso blog anteriormente, design é uma ferramenta indispensável para o crescimento de qualquer empresa.
Além do pensamento criativo, a facilidade de se comunicar e a atitude de “problem solvers”, tornam designers profissionais versáteis e capazes de navegar em diferentes cargos.

Metodologias com foco no usuário e na sua experiência, como o Design Thinking, se tornaram parte da cultura e estratégia das maiores empresas do mundo. Os resultados obtidos são claros, como muito bem explorado nesse estudo da New Enterprise Associates, onde CEOs e C-levels de mais de 400 empresas participaram mostrando que seus esforços de design levaram a um impacto mensurável nos resultados de negócios, levando a mais vendas, maior retenção de clientes e ciclos de produtos mais rápidos.

Parte dessa tendência se deve ao fato de termos visto muito sucesso de empresas fundadas por designers. Por exemplo, Pinterest, Airbnb, Kickstarter, Tumblr, Twitter entre outras, todas foram fundadas ou co-fundadas por indivíduos que anteriormente eram designers de profissão.

A dificuldade de encontrar um bom designer

Para que o design consiga extrapolar o aspecto visual e tenha repercussão em todo o negócio, além de adotá-lo como parte da cultura e estratégia da empresa, é necessário que o designer tenha visão de negócios e entenda que sua atuação não deve se fechar em seu departamento e que design não é apenas visual, mas principalmente funcional e do ponto de vista de marketing deve comunicar e vender.

Infelizmente o mercado está carente de designers que tenham este tipo de embasamento.
A grande maioria das Faculdades e cursos livres preparam designers para pensar somente no ofício de maneira tradicional e executora, falhando em trazer a noção estratégica e de business para os designers.
O foco se limita a “o que” deve ser feito e não o “porquê” deve ser feito, fazendo com que designers que não procuram estudar e expandir seus conhecimentos, se tornem limitados a executar tarefas e não refletir sobre a necessidade, estratégia e objetivo da empresa como um todo.


Como encontrar o designer certo para a minha empresa?

No fundo não existe um caminho certo, mas o que melhor se adequa ao momento em que a empresa está.
Como qualquer contratação, o primeiro aspecto a ser avaliado é o “fit cultural”.
Ter os pilares de cultura desenhados e o perfil que se espera do futuro designer definido é fundamental para encontrar o profissional certo que estará alinhado com os valores e princípios de sua empresa.

Em seguida é necessário compreender o nível de senioridade profissional necessário para sua equipe. Ter uma descrição de cargo bem definida e construída em conjunto com quem será o líder do futuro designer é uma ótima maneira de identificar o tipo de profissional necessário para aquela vaga.

O que diferencia um designer sênior de um designer júnior?

A senioridade de um designer não pode ser decidida apenas por sua idade, anos de experiência ou conhecimento técnico que possui. Existem outros fatores que devem ser considerados, como sua percepção do trabalho, como eles interagem com sua equipe e como abordam os problemas.
Abaixo discutiremos alguns desses principais fatores em detalhes para cada um dos níveis de senioridade.

Designer júnior

Designers júnior normalmente são recém-formados e têm experiência mínima no mercado.
Suas habilidades técnicas são básicas, mas também há outras características  que os identifica:
• Tendência a partir direto para a execução sem antes refletir em como uma tarefa pode ser feita ou porquê;
• Dificuldade em absorver bem referências e interpretar briefings
• Dificuldade de compreender com facilidade a necessidade do cliente;
• Necessidade de orientações muito específicas e estruturadas para alcançar algo. A dificuldade de enxergar o todo faz com que necessitem de supervisão e orientação contínua.
• A falta de visão de negócio faz com que não percebam como gestão, vendas e marketing funcionam e como o design os impacta.
• Ao identificarem um problema, se atentam apenas à superfície solucionando os sintomas, em vez de focar na raiz da questão;
• É comum encontrar uma atitude em que “o problema é de outra pessoa”;
• Normalmente têm dificuldade em estimar o tempo e esforço de tarefas.

Se sua equipe precisa de um profissional de apoio, para executar tarefas com acompanhamento, com tempo e potencial para crescer e trazer frutos para a empresa, um designer júnior pode trazer grandes benefícios para a empresa.
Para garantir que essa aposta no futuro traga bons resultados, recomendamos procurar as características abaixo:
• Muito interesse e energia para aprender;
• Na entrevista cita boas referências e busca informações nos canais certos;
• No processo seletivo demonstra que estudou sua empresa e dedicou tempo para visitar todos os seus canais digitais;
• Tem boa habilidade de comunicação e postura confiante;
• Mesmo que não tenha experiência no mercado, possui um portfólio com muitos projetos pessoais.

Designer pleno

Geralmente com experiência de 4 a 7 anos de profissão em média, são tecnicamente mais fortes do que os designers júnior e podem trabalhar com supervisão mínima, mas ainda precisam de um líder para os direcionar.

Alguns dos pontos que ainda precisam evoluir são:
• Ter mais visão de negócio e gestão para melhor compreender as necessidades do cliente;
• Mais autonomia e experiência para poder liderar uma equipe;
• Ter o comportamento de dividir conhecimento e dar mentoria para profissionais júnior;
• Conectar os pontos entre diferentes departamentos da empresa como vendas e marketing;
• Dominar “atalhos” que somente os anos de experiência trazem.

Se sua empresa já conta com um ou mais designers seniores mas precisa de mais profundidade e agilidade para resolver os desafios, contratar um designer pleno pode ser a melhor opção.
Um fator muito importante é buscar um designer pleno que tenha a postura de querer aprender e evoluir. Uma armadilha comum são designers plenos diminuírem o ritmo de evolução pois atingiram um nível técnico alto porém se esquecem de evoluir suas soft skills e visão de negócio.

Designer sênior

Geralmente com um track record de projetos mais robustos e complexos contam com autonomia para tocar um projeto do começo ao fim e solucionar os problemas apresentados.
Mais do que executar tarefas, são capazes de criar processos, aplicar metodologias, guiar profissionais menos experientes e montar uma equipe.
Entendem as reais necessidades do cliente e da empresa, conseguem entender a visão macro necessária para desenhar o roadmap de um projeto de forma estratégica.

Algumas características que você pode encontrar em um designer sênior são:
• Enxergam desafios sob diferentes perspectivas, trazendo soluções onde forma e função estão bem resolvidas;
• Baseados em seus erros e acertos passados, são capazes de tomar decisões e guiar projetos na direção certa;
• Apresentam defesas consistentes de suas idéias e direcionamentos;
• Sabem a hora de dizer não, e decidir do que abrir mão para o sucesso do trabalho e cumprimento de prazos;
• Possuem vasto know how de design, sabem qual ferramenta e caminho são mais efetivos para cada trabalho;
• Têm total ciência de que estão em um time. Entendem a capacidade de cada profissional, sabem quando devem delegar e quando atuar;
• Oferecem mentorias aos colegas de equipe;
• Não fazem reclamações vazias, fazem julgamentos com base nas evidências empíricas e têm sugestões de soluções para os problemas que identificam;
• Contam com capacidade de executar grandes projetos, defini-los, dividi-los e executar cada etapa com sua equipe;
• Contam com capacidade analítica para fornecer feedbacks.


Conclusão


Toda equipe é construída através de uma variedade de profissionais de diferentes senioridades.
Identificar qual a verdadeira necessidade da empresa, o perfil do profissional que busca, e alinhar esses pontos com a cultura da empresa são passos vitais para definir antes de anunciar a vaga para sua próxima contratação.
Lembre-se, a contratação não termina no contrato assinado.
Um estruturado processo de onboarding é vital para o crescimento organizacional de longo prazo.