MVP: O que é e por que aplicá-lo no design?

MVP: O que é e por que aplicá-lo no design?

MVP: O que é e por que aplicá-lo no design?

Equipe Allidem
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Nos últimos anos vimos surgir inúmeras metodologias que rompem paradigmas do ponto de vista de desenvolvimento de produto. Uma delas ficou muito conhecida no Vale do Silício, a chamada metodologia de MVP – Minimum viable product ou produto mínimo viável. O conceito foi criado por Eric Ries que escreveu o livro Lean Startup, mas no fundo bebe de fontes como o sistema Toyota de produção.


MAS AFINAL, O QUE É MVP?

Um MVP (minimum viable product) é um produto mínimo viável, ele resume os recursos básicos mais simples de qualquer produto que permite seu uso. Também podemos dizer que é a coisa mais simples, objetiva e prática que você pode construir para entregar valor ao cliente de forma barata e rápida.

 

O QUE NÃO É UM MVP?

Consideramos essa pergunta importante por um motivo bem explicado pela atual VP de Produto da Webflow, Jiaona Zhang: “Suponha que você está tentando verificar se as pessoas gostam de pizza. Se você servir uma pizza queimada, você não receberá feedbacks sobre gostarem ou não de pizza, mas sim a opinião da pizza queimada que você serviu. 

Da mesma forma, se você está contando com um MVP, você arrisca não testar o produto, mas sim uma versão ruim ou defeituosa dele.” 

Ou seja, não é sobre fazer uma pizza queimada, mas sim uma pizza menor e mais simples. Em outras palavras, um MVP não é uma versão pior ou mal feita do produto, mas sim um produto criado de forma mais rápida, barata e principalmente simples que, ainda assim, agrega valor real ao usuário. 

 

COMO APLICAR O CONCEITO DE MVP? 

  1. Qual é o porquê do usuário? Entenda a razão pela qual o cliente adquire o produto.
  2. Separe o espaço dos problemas do espaço das soluções
  3. Ouça os usuários, mas não assuma suas opiniões como verdade absoluta. Lembre-se que Steve Jobs dizia:  “não é função do cliente saber o que ele quer”
  4. Adentre o espaço para as soluções e comece

É importante a equipe definir quem serão os principais consumidores do produto para rodarem uma etapa de testes do mínimo produto viável. Isto é, consumidores mais propensos a perdoar os pontos de melhoria do produto antes de um grupo que demanda um produto mais desenvolvido tenha acesso. O conceito de MVP está intrinsecamente ligado à rodadas de teste, logo, é necessário entender as razões pelas quais os consumidores comprariam seu produto. 

Entender o porquê dos consumidores pode ser a chave para o negócio. Considere o case da XP, a empresa poderia se perguntar “Não seria incrível se esse produto pudesse ajudar a XP a competir com grandes bancos?”, mas eles se tornam uma marca mais amada ao se perguntar “Não seria incrível se os clientes pudessem ter várias excelentes opções de escolha para como gerenciar seu precioso dinheiro?”

Em segundo lugar, ao falarmos de indicadores de correlação entre design e receita, falamos de quatro grupos que se destacam em empresas com alto desempenho em design: 

  • liderança analítica, 
  • experiência do usuário, 
  • talento multifuncional e 
  • iteração contínua

Definimos essa última etapa como: Redução do risco de desenvolvimento ao ouvir, testar e iterar continuamente com os usuários/clientes finais a fim de aplicar insights desde a primeira ideia até muito depois do lançamento” A aplicação do Mínimo Produto Viável conta com essa etapa entre sua primeira versão e sua versão final, de forma que as respostas do mercado aos testes geram insights sobre a otimização do produto final. Logo, é fácil entender que uma empresa nunca deve começar com as soluções sobre os problemas, mas sim com os problemas em si.

Quantas grandes ideias de fundadores apaixonados por suas próprias soluções não deram certo? É fundamental para a aplicação do conceito que as soluções venham das respostas dos usuários nas rodadas de teste. O ponto cego da paixão do criador da solução é  esquecer-se que ele não compra dele mesmo. 

Entretanto, escute com cuidado o que os usuários têm a dizer. Certifique-se de que aquele é, de fato, seu público alvo. Para essa etapa é fundamental o desenvolvimento de uma buyer persona, ou seja, um comprador construído com dados coletados e inputs das equipes que lidam com o usuário final. Pergunte-se: meu produto ajuda essa pessoa a resolver uma frustração ou a alcançar um objetivo?

Ainda, é fundamental que métricas sejam geradas e analisadas em cada uma das etapas. Dessa forma, é possível cruzar dados quantitativos com dados qualitativos. Por exemplo, suponha que a sua empresa criou um site com botões para determinado produto e investiu em tráfego. Ao analisar os dados, deve-se levar em conta a quantidade de acessos em comparação com a quantidade de clicks. Adicionalmente, é viável uma etapa de entrevistas com aquele grupo seleto de clientes aos quais nos referenciamos como parte fundamental da etapa de testes, as respostas podem explicar o porquê de uma taxa de clicks alta ou baixa. Dessa forma, a equipe compreende toda a extensão de todos os problemas e pode não só escolher sua batalha, como também adentrar o espaço das soluções.

 

EXEMPLOS DE MVP

Dois exemplos famosos de mínimo produto viável são a Amazon e a máquina de ressonância magnética da ala infantil da GE Healthcare. 

No primeiro caso, a empresa foi iniciada quando Jeff Bezos, nos anos 90, leu sobre o crescimento das vendas online e listou 20 produtos que poderiam ser vendidos online. Ou seja, 20 problemas a serem resolvidos, em seguida, resumiu os cinco maiores: discos compactos, softwares de computador, hardwares de computador, vídeos e livros. Bezos escolheu adentrar primeiramente o problema dos livros e criou um catálogo simples online onde o usuário comprava, e ele fazia a aquisição direto do distribuidor e enviava. Iteração após iteração provou a aceitabilidade do produto mínimo, e com o tempo, a Amazon tornou-se uma das 5 “big techs” com um catálogo de produtos cada vez mais amplo.

No segundo caso, o conglomerado de diagnóstico por imagem contratou um designer para criar uma máquina de ressonância magnética que fosse adequada para as crianças. Entretanto, as crianças ficaram com medo do trabalho final, muitas tiveram que ser sedadas para realizar o exame. Somente quando ele foi ouvir das crianças, de forma a desprender-se da solução criada a partir de suas próprias percepções, e rodar testes reais sobre a evolução do produto é que conseguiu atingir seu objetivo. 

Vale dizer que o conceito de MVP bebe da mesma fonte do Design Thinking, e as duas metodologias podem ser usadas em complementaridade. 


POR QUE APLICAR MVP AO DESIGN?

O MVP torna possível para o designer a compreensão da real necessidade ou benefício que o produto traz para o usuário – ou seja, do valor do produto, – sem que o projeto esteja em etapas finais e na mais complexa versão e, assim, evita o dispêndio de tempo que uma falha de compreensão do briefing do cliente implicaria (Leia mais sobre Briefing). O processo de rápida iteração causado pela aplicação do MVP permite que o time obtenha insights mais direcionados e aprenda em maior velocidade a compreender a real dor do cliente. 

Ademais, ao entrar no mercado antes, com menos features, o produto já passa a gerar receita. No decorrer do desenvolvimento para atingir o produto final, é possível que o plano financeiro se adeque à etapa do produto. É provável que o produto final seja ainda mais rentável do que seria caso não passasse pelo processo como mínimo produto viável, pois a equipe saberá muito mais sobre o cliente do que no caso de um lançamento com o produto finalizado.  

Em resumo, o lançamento de um mínimo produto viável reduz o risco de uma startup, ou até mesmo uma empresa consolidada, investir em um produto ou no desenvolvimento de funções adicionais de um produto que não irão obter sucesso real no mercado. Já para os clientes, no caso de uma startup, um bom MVP é uma forma de criar espaço ao agregar valor mínimo ao usuário, enquanto em uma empresa consolidada, é uma forma de reafirmar a visão de inovar para atender os melhores interesses de seus clientes. A metodologia permite que a equipe desenvolva um pouco de todas as frentes de forma ágil e analítica antes de chegar a um produto consolidado, de forma que o produto final seja muito mais adequado ao público.

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