Os cinco mindsets de um gestor

Os cinco mindsets de um gestor

Os cinco mindsets de um gestor

Isabela Accorsi Gianini
Marketing Team
5 minutos de leitura

De acordo com o conceito do especialista em liderança, Simon Sinek, o chamado Golden Circle é uma ferramenta fundamental para geração e desenvolvimento de valor seja para uma ideia, uma campanha ou um negócio. Ele diz que, ao iniciar um projeto, deve-se perguntar três perguntas mágicas em uma ordem bem específica. São elas:

  • Por quê?
  • Como?
  • O que?

Dessa forma, o valor fica explícito antes mesmo de comunicar qual é a mensagem final. O porquê você faz vem antes do que você faz. Na Allídem, aplicamos sempre o Golden Circle aos nossos workshops em nosso Brand Sprint. Mas, recentemente, a pergunta que mais nos fazemos diz respeito ao meio do Golden Circle: o como.

Mais especificamente: Como é feita a gestão de organizações exponenciais?

Gerir é uma tarefa extremamente dual: cuidar do time enquanto bate metas financeiras, mudar mas manter a organização. Acreditamos que o segredo aqui é muito ligado ao Golden Circle de Sinek. Gestores não podem pensar somente no “o que” devem entregar, mas sim no porquê e no como.

Em 2003, dois estudiosos publicaram na Harvard Business Review, o texto “The Five Minds of a Manager”, que traz cinco mindsets que eles identificaram como necessários quando davam aulas de MBA para executivos. Para eles, a arte de gerir mora na intersecção entre a ação e a reflexão: reflexão sem ação é passividade, enquanto ação sem ação é imprudente. Os cinco mindsets são:

 

  • Mindset reflexivo: a habilidade de parar e pensar – de ver as coisas de uma perspectiva

Em seu livro “Regras para radicais”, Saul Alinsky, conhecido como pai dos métodos modernos de organização comunitárias, afirma que “Acontecimentos tornam-se experiências quando são digeridos, quando há reflexão sobre eles, são relacionados a padrões gerais e sintetizados”. E daí surge a questão: quanto tempo um executivo tem para tornar acontecimentos em experiências? 

Muito embora as empresas não precisem das chamadas “pessoas espelho”, que tornam todos os acontecimentos uma reflexão pessoal, elas tão pouco precisam de “pessoas janela”, pelas quais a experiência do outro só atravessa sem ensinar, causar empatia ou gerar insights. Precisam de gestores capazes de executar os dois. Em latim, “refletir” significa redobrar-se, ou seja, olhar para dentro para que se possa olhar para fora com a capacidade de mudança de perspectiva – um produto, um serviço, um design, uma experiência do usuário. 

Além disso, ao desenvolver a capacidade de mudar a perspectiva, um gestor passa a poder respeitar etapas da história do dia-a-dia. Isto é, respeitar não só as grandes mudanças e disrupções, mas o poder da história do dia-a-dia das organizações. É preciso apreciar o passado se desejar usar o presente para um futuro melhor.

  • Mindset colaborativo: a habilidade de trabalhar em equipe – e não só como chefe

No mundo ocidental, é comum que pessoas sejam vistas como ativos pelas empresas. Isto é, um recurso que pode ser comprado, vendido e movido pela organização. Esse não é o mindset colaborativo. O mindset colaborativo é sobre não ver a tarefa como gerir pessoas, mas sim, gerir relações entre pessoas. 

Ainda, vale dizer que o mindset colaborativo implica em uma quebra no conceito heróico do gestor que salva o andamento de uma tarefa, e passa a ser um gestor que opera de forma a engajar mais seus colaboradores. O como parece simples mas é muito pouco posto em prática:

  • Ouvir mais do que falar 
  • Permitir que os colaboradores assumam o controle
  • Gerar colaboração entre equipes

O mantra aqui é “sonhamos, logo fazemos”, é a chamada liderança de fundo. Não é sobre comandar o exército do trono, mas sobre lutar lado a lado com os soldados. O mindset colaborativo implica estar dentro e envolvido, e gerir dessa posição.

  • Mindset analítico: a habilidade de decomposição sistemática das atividades da organização

Tudo é simples se desconstruído. A verdade sobre a análise é que ela pode ser feita em diversos contextos: análise de mercado, análise de benchmarks, análise de concorrência, análise 360º da equipe, e, especialmente, análise organizacional. Somente decompondo a empresa é que é possível compreender toda a sua complexidade. A análise permite a compreensão de qual é o “drive” de uma empresa, bem como a mensuração de sua performance nessa direção, e é dela que surge a divisão do trabalho.

A pergunta é: Como um gestor pode ser capaz de ver além da análise óbvia e essencial?

A análise profunda não é sobre simplificar o processo de tomada de decisões complexas, mas sim, sobre fundamentá-lo de forma a manter a capacidade da organização de agir. Logo, é necessário ir além e saber não só as respostas, mas sim, as perguntas certas. A chave do mindset analítico é não ser o marketer que estuda a buyer persona sem ter a venda em vista, em outras palavras, é apreciar os resultados sem perder o foco da ação.

  • Mindset contextual: a habilidade de estabelecer uma conexão entre a empresa e os vários “mundos” que a cercam –  a indústria, o setor, as culturas,…

O mindset contextual pode ser resumido em mudar a percepção de mundo. É sobre andar com os sapatos dos clientes, colaboradores e stakeholders locais. Dentro do escritório é impossível ter noção do contexto mundial. O mundo é interdependente, similar e muito diferente ao mesmo tempo. Na Índia, um executivo vai ao trabalho em um carro bom e novo, como qualquer executivo vai a Faria Lima, entretanto, ele lida com a densa camada de poluição de Nova Delhi, as vacas no meio do trânsito de tuk tuks, carros, pessoas e motos –  para ele, esse é só o fluxo das coisas, enquanto para nós, é uma experiência completamente diferente da realidade. Muito embora ambos sejam de países emergentes, e ocupam cargos iguais em suas devidas empresas.

Gestores precisam intermediar o encontro entre sua empresa e o contexto dos mundos onde habita. Não é só sobre entender como os mercados se diferenciam, mas sobre entender sobre seus consumidores independente de quão remoto e específico seu contexto for.

  • Mindset da ação: a habilidade de direcionar a ação conjunta

O mindset da ação é sobre a consciência do caminho e de como manter o time se movendo na mesma direção, juntos. Mudança e ação não são conceitos que necessitam vastas explicações, mas há muito sendo feito sem o primeiro passo: a reflexão. As pessoas cobram a mudança de forma ágil e veloz. O mundo diz o tempo todo que devemos estar atentos às mudanças constantes. Mudar ou então ficar para trás.

Embora evoluções sejam feitas em base diária, mudanças e disrupções acontecem de forma muito mais rara. Além disso, mudanças acontecem desde que o mundo é mundo, o mundo não está mudando de forma constante agora, ele muda de forma consistente desde o início dos tempos. O mindset da ação requer um pouco de humildade para agir, e de consistência. É sobre saber o que mudar e o que manter.

Ação e reflexão devem se contrabalancear de forma contínua. Ação requer colaboração. Reflexão requer análise e percepção de contexto. E, assim, a combinação dos mindsets pode ajudar um executivo a alavancar sua forma de pensar, seu time, seu ambiente e seu negócio.

 

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